Orelhas verdes

Apresentei o Google Earth para meu sobrinho de quatro anos.

Ele ficou encantado.

Tem um botãozinho que a gente aperta para cair em qualquer lugar do mundo aleatoriamente.

Toda hora ele clicava. “Onde vamos parar agora?”

E lá vai o aplicativo sugerir lugares que nossa imaginação não consegue conceber por si só.

Uma praça na Venezuela, um templo na Bulgária, uma ilha no Pacífico.

Tudo era motivo de surpresa e admiração.

Gosto de ver como as crianças são curiosas e sentem prazer nas descobertas.

Pena que muitas delas, quando crescem, perdem a habilidade de se encantar com o universo.

Por outro lado, temos a sorte de contar com muitos adultos curiosos e sensíveis.

Tipo o cientista Carl Sagan, autor de reflexões sobre o universo, como esta aqui que eu fiquei de enviar no último post.

Ou então tipo o Gianni Rodari, o cara que escreveu este poema que eu recebi semana passada de uma leitora:

O Homem da Orelha Verde

Um dia num campo de ovelhas
Vi um homem de verdes orelhas
Ele era bem velho, bastante idade tinha
Só sua orelha ficara verdinha
Sentei-me então a seu lado
A fim de ver melhor, com cuidado
Senhor, desculpe minha ousadia, mas na sua idade
de uma orelha tão verde, qual a utilidade?
Ele me disse, já sou velho, mas veja que coisa linda
De um menininho tenho a orelha ainda
É uma orelha-criança que me ajuda a compreender
O que os grandes não querem mais entender
Ouço a voz de pedras e passarinhos
Nuvens passando, cascatas e riachinhos
Das conversas de crianças, obscuras ao adulto
Compreendendo sem dificuldade o sentido oculto
Foi o que o homem de verdes orelhas
Me disse no campo de ovelhas.

E você, também tem orelhas verdes?

Você também fica empolgado como uma criança quando descobre uma coisa nova?

Conta pra mim.

E bom fim de semana.

🙂

Caetano Cury